A CRIANÇA, A CASA E O VELHO
— Opa!!! Este é o final da história. Vai começar por aqui mesmo?Já leu a primeira parte? Não? Então acesse aqui.
PARTE III
Após ser tragado pela casa, João sentiu como se seu corpo tivesse sido esticado tal qual um elástico, aos poucos cedendo a pressão voltando a forma normal, ou o mais próximo disto. Durante algum tempo, quanto o garoto não sabia precisar, teve a nítida impressão de flutuar e só então percebeu algo muito importante. O chão, aquela coisa sólida que normalmente ficava embaixo dos seus pés, havia desaparecido e o garoto agora despencava em queda livre. Entorno de si tudo era a mais absoluta escuridão, do tipo que João jamais imaginou existir. Era como se tivesse sido atirado através da fechadura para fora do planeta.
Olhou para cima e viu que o vórtice o qual o envolvia, não era mais uma escuridão total, estava salpicado de pontos luminosos, brilhando aqui e ali parecendo estrelas no céu. Testemunhas longínquas, cintilantes silenciosas do destino do menino. João caia cada vez mais rápido e o mundo como ele o conhecia já não fazia o menor sentido.
João tinha a boca escancarada sentindo o grito vibrando na garganta, mas o som por alguma razão, não parecia sair não importando a força ou vontade, era uma sensação desesperadora, como se estivesse mesmo no espaço, em pleno vácuo despencando do planeta. A velocidade não parava de aumentar, e aos poucos ele tinha a sensação de as próprias estrelas passarem por si com flashes de luzes e então notou, ao olhar para baixo, para seu desespero, que uma forma contínua, alongada, achatada se aproximava na mesma proporção de sua queda. Tratou de balançar os braços e as mãos na tentativa inútil de frear ou parar a forte descida, contudo não obteve sucesso. O outrora borrão aproximava-se dele com uma rapidez espantosa tornando iminente a colisão.
Tudo acontecia muito rápido! Instantes atrás o garoto estava brincando com os amigos, e agora despencava em uma velocidade assustadora em direção a algo sem saber exatamente o que, mas com a ciência de que um choque a aquela velocidade contra fosse lá o que fosse, provocaria dores ainda piores do que quando desobedeceu o pai montando no cavalo e acabou caindo. No entanto, agora seria um milhão de vezes pior, seria o fim! Adeus João, o teimoso.
Se Tom estivesse ali riria dele por não ter lhe dado ouvidos, era essa imagem na mente de João, o velho Tom escarnecendo dele por ter ignorado os avisos e se aventurado na floresta. Agora João pagaria pela teimosia com a própria vida e Tom teria mais um fantasma para adicionar a sua história assustadora para crianças indefesas.
João só queria o fim de toda aquela agonia, Tom teria o reprendido nisto também dizendo para ter cuidado com aquilo que desejasse, pois a coisa vinha cada vez mais rápida como um borrão. O menino fechou os olhos e protegeu o rosto com as mãos e então se chocou contra a coisa.
Porém não foi como João esperava. Imediatamente após o choque, sentiu como se seu corpo fosse envolvido por um material elástico esticando-se por metros amparando a queda por completo. Segundos depois, em um ricochete, o menino fora lançado novamente ao ar esperneando feito uma marionete sem cordas, a poucos metros da estranha superfície. E, quando acabou o empuxo, a gravidade agiu levando João de volta ao chão, mas desta vez ele chocara-se contra algo bem sólido, duro feito pedra e nada amortecedor.
O grito finalmente saiu de sua garganta em uma espécie de efeito retardado enchendo o ambiente de uma voz esganiçada, como a de uma criança a chorar depois de uma surra.
Levou algum tempo até o menino recobrar os sentidos. E quando o fez ficou ali por algum tempo sentindo dores por todo o corpo, ainda que aliviado pelo fato de a queda ter chegado ao fim e, principalmente, por ele estar vivo. João abriu os olhos passando a mão no rosto sentido as escoriações, piscando os olhos para espantar a visão turva, e quando conseguiu olhar entorno de si, levou um susto. A casa não se parecia em nada com a cabana, velha, abandonada que vira do lado de fora.
— Uau, que estranho! É maior por dentro. — disse espantando. — Maior não! É enorme!
A casa era realmente muito grande. Tamanha era a altura das paredes que os olhos do menino mal podiam enxergar o teto, aonde no centro pairava uma enorme cúpula de vidro. As paredes eram ocupadas por imensas e grossas estantes repletas de livros, separadas por um enorme salão com espaço suficiente para caber um povoado inteiro. Por todo o salão pairavam luminárias de chamas azuladas suspensas no ar.
João pôs-se de pé, só então notou o tapete verde-escuro estendendo-se desde a entrada, a mesma porta onde minutos antes o menino fuçava para tentar entrar. Só que não era mais a mesma porta rústica de madeira, e sim uma suntuosa por de folha dupla, repleta de detalhes incrustados em madeira maciça.
— Que lugar divertido! Os cagalhões não sabem o que estão perdendo. — disse em voz alta ainda espantando com o interior.
Era como se existissem duas casas. Do lado de fora ela tinha a aparência de uma cabana velha, decrépita e abandonada. Porém do lado dentro estava sua verdadeira essência, um verdadeiro palácio ocultado por truques para manter longe os curiosos.
João correu até a porta querendo ir lá fora e descobrir se ainda tinha aparência de cabana ou se com a sua “intromissão” o exterior também não havia sido modificado. Só quando estava prestes a tocar na maçanete é que lembrou-se da coisa fria, viscosa que envolvera seu corpo e somente o soltara depois da queda. Olhou bem antes de tocar e só o fez quando percebeu o brilho da maçaneta dourada sem indícios da substância. No entanto, o resultado foi o mesmo de quando tentara entrar, a fechadura estava trancada e não dava sinais de se mover.
Ainda estava parado encarando a porta quando ouviu detrás de si barulhos de pés se arrastando por um dos vários corredores provenientes do interior da casa para o que deveria ser o salão principal.
— Olá, quem está aí? — disse arriscando a falar primeiro sem obter nenhuma resposta.
Os sons estavam cada vez mais altos indicando a aproximação de alguém. João estava ansioso para saber se era o dono da casa quando ouviu um barulho que o fez mudar de ideia. Um ruído de metal contra pedra seguido por um gemido gutural acelerou o coração do menino e pôs suas outrora ociosas pernas em movimento.
João correu para o corredor do lado esquerdo oposto de onde ouvira o som de passos. O corredor era estreito iluminado por lanternas vermelhas e as paredes estavam dominadas por pinturas pretas em formas de espirais que pareciam girar produzindo um efeito nauseante, impossível de tirar os olhos.
Mais a frente o efeito foi amplificado pois os caracóis agora envolviam o teto e o chão deixando João tonto incapaz de permanecer de pé. Todo o lugar parecia rodar e o menino sentiu vontade de vomitar. Levantou e saiu correndo de olhos fechados e as mãos segurando a boca sem se importar com as colisões contra as paredes apertadas. Quando abriu novamente os olhos estava caído olhando para o céu estrelado através da cúpula do salão central. Estava de volta a ponto de partida.
Mais a frente o efeito foi amplificado pois os caracóis agora envolviam o teto e o chão deixando João tonto incapaz de permanecer de pé. Todo o lugar parecia rodar e o menino sentiu vontade de vomitar. Levantou e saiu correndo de olhos fechados e as mãos segurando a boca sem se importar com as colisões contra as paredes apertadas. Quando abriu novamente os olhos estava caído olhando para o céu estrelado através da cúpula do salão central. Estava de volta a ponto de partida.
Ao menos não ouvia mais o barulho de passos vindo em sua direção. E estava prestes a se acalmar quando as chamas azuladas se apagaram mergulhando o cômodo na escuridão. O silêncio era perturbante, o menino nem mesmo ouvia os sons da floresta lá fora. A quietude então foi quebrada por uma voz torpe, como a que ouviu do lado de fora da casa, chiando em sussurros em seu ouvido.
— Invasor… Invasores devem ser destruídos. — disse a voz.
— Não, por favor. Eu não fiz por mal. Só queria saber o que tinha dentro da casa.
— Não devia estar aqui, invasor. Ninguém penetra nos domínios de Muh sem ser convidado. Aquele que o fizer, pagará com a própria vida. — diz a voz em tom de sentença.
E um retinir como se uma espada fosse sacada ecoou pela casa. João fez força para não chorar e continuou pedindo desculpas pela intromissão e por sua curiosidade incontrolável.
— Você sabe demais, menino. Não posso deixá-lo ir. Esta casa será seu túmulo. — disse, gargalhando em seguida, a voz.
Muito embora não enxergasse nada, tremendo de medo, João fechou os olhos temendo a aproximação de algo ou de alguém.
Estava paralisado de medo quando da mente veio um comando inesperado: Corra!
Deu um salto e começou a correr a toda velocidade, trombando e derrubando coisas pelo caminho sem se importar para aonde estava indo. Queria mesmo era deixar seu perseguidor para trás.
João correu em direção as chamas azuladas bruxuleantes vindas de um dos corredores chocando-se contras os obstáculos sem se deixar deter por eles. Nem mesmo quando viu o que acreditava ser a sombra de uma aranha gigante, vindo em sua direção. O menino respirou fundo e passou correndo pela imagem que estremeceu e desapareceu instantes depois. Não havia tempo pois sua vida estava em jogo, ele era novo demais e não morreria antes de se tornar um cavaleiro do rei.
Virava aqui e ali num corredor sem fim quando parou agitando os braços no ar. Jogou todo o seu peso para trás evitando despencar pela abertura surgida a poucos centímetros de seus pés.
João estava encurralado. Atrás de si, vinha o dono da casa querendo matá-lo e a sua frente estava um precipício cujo o fundo era impossível enxergar. Sentiu o coração disparar batendo forte como socos contra o peito quando percebeu não ter saída. Se ficasse seria fatiado feito um pedaço de pão. Se saltasse acabaria estatelado feito uma fruta podre, e tudo isto sem ao menos ter beijado alguém ou aprendido a arte da espada.
A sombra surgiu novamente, o barulho do metal retinindo no ar ecoou pelo corredor e fez o menino tremer de medo. Em seguida veio a voz chiada cada vez mais perto.
— É o seu fim, invasor! — disse o homem.
João olhava para trás e via o vulto empunhando uma adaga de metal brilhante . Ainda queria acreditar que o homem só estava de brincadeira querendo dar uma lição no bisbilhoteiro, porém o estranho não cedia e estava cada mais próximo.
— Por favor, senhor. Nunca mais faço isso e nem conto para ninguém que o senhor mora aqui, eu juro. — disse quase aos prantos.
A súplica de nada adiantou pois o homem continuou avançando sem se importar com o pânico do menino. João então agiu. Sem pensar em mais nada girou nos calcanhares voltando-se para o precipício, recuou o máximo para tomar distância como fazia quando pulava de um lado a outro de barrancos e correu com toda vontade. Ouviu um zunido da adaga cortando o ar passar bem próximo de seu ombro sem acertá-lo e saltou para dentro da escuridão.
Qual não foi sua surpresa quando, instantes depois do saltou, os pés tocaram novamente o solo. A imagem do precipício tremulou e desapareceu diante de seus olhos. O invasor não se conteve e deitou no chão segurando a barriga enquanto gargalhava aliviado.
Só então notou que o estranho havia desaparecido, e que a outrora gigante e estranha casa, havia se transformado em uma cabana comum, tal qual indicava sua fachada. O menino se viu de novo frente a frente com a porta desprovida de maçaneta, e na madeira estavam encravados os seguintes dizeres:
"Para a porta destrancar, todo do avesso você deve estar."
— Ah não, charadas não! — disse ele e em um acesso de irritação correu e começou a socar a porta — deixa eu sair, não volto aqui nunca mais. Por favor, por favor!
Nada aconteceu! João leu novamente a mensagem e ficou pensativo.
Ele não gostava deste tipo de brincadeira, achava que era perda de tempo sempre preferindo suas batalhas imaginárias aos jogos dos espertinhos. Desta vez não poderia evitar, se quiser dar fora daquele lugar maluco, teria de desvendar o enigma.
— "Para a porta destrancar, todo do avesso você deve estar.” — repetiu tentando decifrar o mistério.
— Ah! Esta é muito fácil. — e riu satisfeito consigo mesmo.
O garoto apoiou nas mãos jogando as pernas para o ar se equilibrando em frente a porta, porém nada aconteceu.
— Ueh. Jurava que era só isto! — disse insatisfeito enquanto voltava a posição normal.
Fitou a porta por um longo período até que resolveu tirar as roupas e vesti-las do avesso. Encostou a mão na porta e as letras brilharam e se apagaram rapidamente. O garoto não sabia o que mais poderia fazer, e então ainda com a roupa do avesso, repetiu a posição olhando de ponta cabeça para a porta e... Nada. Imóvel como antes.
Estava quase desistindo quando lembrou de uma outra brincadeira, a de falar as palavras na ordem inversa. E então trocou as palavras e as letras de lugar, mantendo a roupa invertida a posição de ponta a cabeça. As letras reluziram novamente, a maçaneta girou, as grossas dobradiças rangiram e a porta finalmente se abriu como mágica.
O menino correu pela entrada e dando gritos, comemorou o fato de estar vivo, livre e por fim, fora da casa maluca. Voltaria para junto dos seus amigos e dos pais e não diria uma palavra sobre o que aconteceu.
Ia correr seguindo o caminho de pedra por onde havia passado enquanto conseguia enxergar alguma coisa, pois a noite chegava e a floresta seria imersa em escuridão. Quando ouviu atrás de si a voz, a mesma baixa, chiada que ouvira dentro casa.
— Você tem muita coragem, pequenino! — disse a voz.
João girou nos calcanhares e viu um velho iluminado por uma lanterna bruxuleante. Ele tinha cabelo e barba compridos e brancos.
— Quem é você? — quis saber o enxerido.
— Sou Muh, o sábio. Estou impressionado com o que fez aqui. Poucas pessoas teriam sobrevivido, sabe? — disse o velho esboçando um sorriso.
João não reconheceu o nome e também não queria ficar ali nem mais um instante que fosse.
— Olha, me perdoe por ter invadido a sua casa, mas… está ficando tarde e preciso ir andando, até mais. — disse tentando se livrar do velho.
— Não sabe quem eu sou não é? Talvez me conheça melhor como Jeremias… — e fez uma pausa.
— Você é o… Jeremias?
— Isto mesmo!
— Mas você disse que seu nome era Muh! — duvidou o menino.
— Sim. Agora sou Muh, mas já fui chamado de Jeremias.
— Mas o velho Tom disse tinha morrido. Devorado pela floresta, e que era para a gente não entrar aqui ou sofreríamos o mesmo destino! — disse João em um desabafo.
— Tom disse isto? Hum… Veja garoto, você não deve dar ouvidos aos adultos, são um bando de gente assustada, sem coragem suficiente para viver de acordo com o que acreditam. — disse Muh.
— Eu disse a turma, mas ninguém acreditou em mim.
Muh se aproximou tocando os ombros do menino com as mãos velhas e ossudas em um gesto de simpatia.
— Preste bem atenção, garoto! Os adultos só se importam com eles mesmos. Farão de você uma marionete, se assim o permitir. — fez uma pausa — eles… bem, nós gostamos de pensar que sabemos alguma coisa sobre a vida, mas a verdade é que não sabemos nada. Somos péssimos atores interpretando papéis, como nas peças representadas na vila.
— Mas se os adultos não sabem como é a vida, então quem sabe? — quis saber o menino.
Muh fez uma pausa refletindo sobre a pergunta e então respondeu.
— Talvez ninguém saiba, na verdade! Aquele que diz saber não sabe! Talvez esteja aí a graça da coisa. Confie sempre em si mesmo, garoto. Todas as respostas estão dentro de você, e se continuar sendo tão corajoso como foi hoje, seu futuro será brilhante. — disse com um olhar profundo para o menino. — Quanto aos adultos, ignore-os. São um bando de cegos incapazes de compreenderem as mudanças do mundo querendo sempre voltar no tempo e manter tudo como sempre foi. Se dependêssemos deles, viveríamos todos dentro de uma redoma.
— Sou corajoso e sempre serei! Afinal sou um cavaleiro, daqueles cujos os feitos celebrarão os melhores bardos do reino. — disse ele sorrindo para o velho.
Muh desgrenhou os cabelos do menino em sinal de aprovação e riu para ele.
— Cavaleiro do rei, hein?
— Sim, o melhor que já existiu.
— Talvez você queira fazer algo mais do que ficar por aí espetando pessoas com um pedaço de metal grudado num cabo de madeira.
— E o que eu faria?
— Ora, você daria um ótimo aprendiz.
— Aprendiz? De que?
— Algumas chamam a arte perdida de magia, eu chamo de poder dos deuses. Então, o que me diz?
— Poder dos deuses, hein?
— Acho que posso ser um cavaleiro mágico. — disse sorrindo enquanto ambos voltavam para dentro da casa.
— Quem é você? — quis saber o enxerido.
— Sou Muh, o sábio. Estou impressionado com o que fez aqui. Poucas pessoas teriam sobrevivido, sabe? — disse o velho esboçando um sorriso.
João não reconheceu o nome e também não queria ficar ali nem mais um instante que fosse.
— Olha, me perdoe por ter invadido a sua casa, mas… está ficando tarde e preciso ir andando, até mais. — disse tentando se livrar do velho.
— Não sabe quem eu sou não é? Talvez me conheça melhor como Jeremias… — e fez uma pausa.
— Você é o… Jeremias?
— Isto mesmo!
— Mas você disse que seu nome era Muh! — duvidou o menino.
— Sim. Agora sou Muh, mas já fui chamado de Jeremias.
— Mas o velho Tom disse tinha morrido. Devorado pela floresta, e que era para a gente não entrar aqui ou sofreríamos o mesmo destino! — disse João em um desabafo.
— Tom disse isto? Hum… Veja garoto, você não deve dar ouvidos aos adultos, são um bando de gente assustada, sem coragem suficiente para viver de acordo com o que acreditam. — disse Muh.
— Eu disse a turma, mas ninguém acreditou em mim.
Muh se aproximou tocando os ombros do menino com as mãos velhas e ossudas em um gesto de simpatia.
— Preste bem atenção, garoto! Os adultos só se importam com eles mesmos. Farão de você uma marionete, se assim o permitir. — fez uma pausa — eles… bem, nós gostamos de pensar que sabemos alguma coisa sobre a vida, mas a verdade é que não sabemos nada. Somos péssimos atores interpretando papéis, como nas peças representadas na vila.
— Mas se os adultos não sabem como é a vida, então quem sabe? — quis saber o menino.
Muh fez uma pausa refletindo sobre a pergunta e então respondeu.
— Talvez ninguém saiba, na verdade! Aquele que diz saber não sabe! Talvez esteja aí a graça da coisa. Confie sempre em si mesmo, garoto. Todas as respostas estão dentro de você, e se continuar sendo tão corajoso como foi hoje, seu futuro será brilhante. — disse com um olhar profundo para o menino. — Quanto aos adultos, ignore-os. São um bando de cegos incapazes de compreenderem as mudanças do mundo querendo sempre voltar no tempo e manter tudo como sempre foi. Se dependêssemos deles, viveríamos todos dentro de uma redoma.
— Sou corajoso e sempre serei! Afinal sou um cavaleiro, daqueles cujos os feitos celebrarão os melhores bardos do reino. — disse ele sorrindo para o velho.
Muh desgrenhou os cabelos do menino em sinal de aprovação e riu para ele.
— Cavaleiro do rei, hein?
— Sim, o melhor que já existiu.
— Talvez você queira fazer algo mais do que ficar por aí espetando pessoas com um pedaço de metal grudado num cabo de madeira.
— E o que eu faria?
— Ora, você daria um ótimo aprendiz.
— Aprendiz? De que?
— Algumas chamam a arte perdida de magia, eu chamo de poder dos deuses. Então, o que me diz?
— Poder dos deuses, hein?
— Acho que posso ser um cavaleiro mágico. — disse sorrindo enquanto ambos voltavam para dentro da casa.




